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Declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e Capital Cervantina das Américas em Guanajuato, ali o relógio não tem pressa, e seus habitantes, amáveis e tranqüilos, oferecem ao visitante o que há de melhor na legendária hospitalidade mexicana.

Cheguei cedo pela manhã com uma dor de cabeça brutal. Comecei a procurar desesperadamente uma farmácia. A primeira que encontrei estava fechada. A segunda também. Então perguntei a uma transeunte que passava por ali: “Hoje é feriado?” Ela, morrendo de rir, respondeu: “Olha! Aqui não se vai encontrar um único estabelecimento aberto antes das onze”. Fiquei boquiaberto, porém imediatamente refleti e tive de sorrir como aquela transeunte. Assim que avaliei a situação, procurei um lugarzinho para tomar um café e apreciar o trânsito das pessoas. Quando deram onze horas, minha dor de cabeça havia desaparecido.

> História e arquitetura

A cidade de Guanajuato se encontra estrategicamente localizada no centro geográfico do país, a três horas de carro da Cidade do México e de Guadalajara. A palavra Guanajuato vem do “tarasco” (língua do homônimo grupo étnico nativo do México), “Quanaxhuato”, que significa “lugar montanhoso de rãs”. Sua fundação começou com o descobrimento e a exploração dos espanhóis de ricas jazidas em 1548. O descobrimento de um enorme veio de prata atraiu uma população que a converteria definitivamente em cidade e no centro de mineração mais importante da Nova Espanha. Não é de se estranhar que possua uma rica herança arquitetônica colonial, porém com características próprias, porque as fachadas de muitas casas e muitos monumentos são pintados em cores pastéis e outros com fortes tons de azul e vermelho em contraste com os brancos e austeros típicos povoados espanhóis. Ruas pavimentadas com lajes de pedra, centenas de vielas estreitas e belíssimas pracinhas escondidas convidam ao passeio e ao descobrimento de uma cidade que parou no tempo. Não há sinais de trânsito. Não há luzes de neon. Entretanto, a paisagem humana nas ruas é juvenil. Isso se deve à Universidade de Guanajuato, situada no centro histórico. Os jovens formam suas “tunas” ou “estudiantinas” e, vestidos em seus trajes, capas e fitas, percorrem as ruas estreitas da cidade naqui-As famosas “estudiantinas” de Guanajuato o que chamam de “callejoneada”, cantando, dançando e contando anedotas.

> Trajeto

O Jardim União é um belo parque de forma triangular situado no centro da cidade e o ponto de reunião dos guanajuatenses. Em um dos lados se encontra o Templo de São Diego e o magnífico Teatro Juárez. A poucos passos, a Basílica de Nossa Senhora de Guanajuato, o edifício central da Universidade e o adjacente Templo da Companhia, uma impressionante igreja de estilo churrigueresco. Próximo, encontra-se o Mercado Hidalgo, repleto de artesanatos e doces típicos da região. Aos fundos do Teatro Juárez, por meio de um teleférico, se chega ao monumento em memória do minerador Juan José Martínez, conhecido como “El Pipila”, de onde se pode apreciar uma vista panorâmica da cidade. E se o Rio de Janeiro tem seu Cristo Redentor, Guanajuato não o faz por menos. Sobre a abóboda do Santuário de Cristo Rei, no Cerro del Cubilete, ergue-se uma impressionante estátua de Cristo Rei, a exercer Sua divina majestade.

> Cervantes

Falar de Guanajuato e não mencionar Cervantes é como falar de Don Quixote sem qualquer referência a Sancho Pança. Tudo teve início em 1952 com o diretor mexicano de teatro Enrique Ruelas que começou a representar os “Entremezes Cervantinos” com estudantes nas pracinhas da cidade. Aquelas modestas representações ganharam corpo, e os governos estadual e federal, em 1972, mostraram muito interesse e decidiram criar o Festival Internacional Cervantino. No Festival, há lugar para música, dança, ópera, teatro, cultura, cinema, literatura, artes visuais e atividades especiais para crianças, em cenários e teatros cobertos e ao ar livre em toda a cidade.

> Viver

A vida em Guanajuato é agradável e segura. Há muitos restaurantes pequenos que têm um serviço mais íntimo e pessoal em dezenas de cantinhos e praças. A vida noturna nos clubes é li- mitada, mas os poucos existentes são animados. Na realidade, se vive intensamente nas ruas, aproveitando-se o clima ideal. A oferta artística e cultural é sempre ampla, variada e contínua. Por tudo isso, não cabem dúvidas de que Guanajuato preenche os requisitos “antiestresse” que ando buscando. Talvez logo me vejam lá de volta e, dessa vez, para sempre.


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Febrero-Marzo 2008
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